No seguimento de navegação pela web, encontrei um blog de utilizador no fórum mototuga (http://mototuga.forumotion.net/), que despertou logo atenção. Um utilizador deste portal foi a Marrocos de “acelera” uma scooter. Quis saber mais sobre essa aventura e partilhar com os outros utilizadores.
A primeira pergunta será como é óbvio de onde surgiu a ideia maluca de ir até Marrocos com uma scooter de 50cc?
Sempre gostei de pequenas aventuras. Embora no momento da compra da scooter não tivesse imaginado que mais tarde faria duas viagens razoavelmente grandes nela, a verdade é que pouco depois de a ter comprado, comecei a magicar um passeio um pouco mais longo. No Verão de 2007 fui à costa Asturiana, em Espanha e em 2008 decidi afoitar-me um pouco mais, em Marrocos. Julgo que foi o meu gosto por pequenas aventuras, por andar de moto e por longas viagens, em conjunto com a influência das minhas leituras de viagens e de um pequeno círculo de amigos que partilham a paixão das viagens de moto, que me deu a ideia de fazer esta viagem.
O projecto original não consistia apenas na viagem a Marrocos. A minha ideia inicial era fazer um circuito pela ilha da Madeira, algumas ilhas Canárias (Fuerteventura e Lanzarote), e de seguida para a costa marroquina em Marrocos, a partir de onde subiria Marrocos acima até Tanger através das montanhas do Atlas. As ligações seriam feitas por ferry, aproveitando a que se anunciava novíssima ligação entre Portimão e a ilha da Madeira. Acontece que no final de Abril de 2008 surge a notícia do afundamento do barco da empresa Naviera Armas que fazia a ligação entre Fuerteventura e Tarfaya e este circuito deixou de ser concretizável. Houve rumores de que ainda no Verão seria restabelecida algum tipo de ligação marítima entre as Canárias e Marrocos, mas como tal acabou por não se concretizar, decidi-me por um circuito apenas em Marrocos.
Qual foi o trajecto seguido, quilómetros no total e patrocínios?
Fiz cerca de 3.250 quilómetros no total, no interior de Marrocos e não tive qualquer patrocínio para a viagem.
Tinha como principal objectivo deambular nas montanhas do médio e alto Atlas, onde as tradições berberes e os modos de vida mais simples permanecem mais intactos. Para além de estradas asfaltadas, queria fazer algumas pistas. Acabei no entanto por ir muito mais para Sul do que pensei inicialmente, e cheguei até ao fundo do vale do rio Draa, em M'hamid, a poucas dezenas de quilómetros da fronteira argelina, às portas do deserto do Sahara. O trajecto foi mais ou menos este: Tanger - Meknès, Meknés-Ifrane-Midelt, Midelt-Cirque de Jaffar-Rich-Imilchil, Imilchil-Agoudal-Tizi-Tirherhouzine-Tinerhir-Boumalne Dadès, Boumalne Dadès-Gorge du Dadès-Ouarzazate-Ait-Benhaddou; Ait-Benhaddou-Telouèt-Tizi-n-Tichka- Agoudim-Tazenakht-Agdz-Zagora-M'hamid. M'hamid-Marrakech-Larache-Tanger .
Quantas pessoas e que motos / carros de apoio?
Fiz a viagem sozinho e sem estruturas de apoio de qualquer espécie.
Algum (certamente que sim) acontecimento caricato para partilhar?
Não sei se posso apontar algum acontecimento caricato, mas certamente não esquecerei facilmente alguns momentos desta viagem. De uma forma geral os meus dias nas pistas do Atlas foram os que mais prazer me dão recordar, por vários motivos. As paisagens esplendorosas, as pessoas nas aldeias mais isoladas. O encontro, perto de Ouarzazate, com as duas famílias de portugueses que viajavam em jipes. O Zé Bernardo não acreditava que andava por ali uma "moto das pizzas". Foram eles que me revelaram as temperaturas a que andei sujeito no sul de Marrocos. Passei um dia muito difícil no ponto mais a sul, em M'hamid, com perto de 60 graus. Estive durante parte do dia num estado meio letárgico, com sintomas vagamente semelhantes a febre, quase não consegui comer e bebi cerca de 7 litros de água.
Pode-se dizer que é uma viajem dispendiosa ou qualquer um poderá realizar?
O montante que gastei nos dias em que andei por Marrocos é provavelmente não muito superior ao que se gasta num fim de semana numa concentração ou num passeio/convívio motard. No total gastei dentro de Marrocos, um total de 210 euros, incluindo todos os custos com alimentação, combustível e alojamento, que são inferiores em Marrocos aos correspondentes em Portugal. Claro que fiz opções bastante frugais em termos de alojamento e este estilo de viajar não será para todos, mas para quem goste de campismo, de natureza e não tenha pressas, estas férias oferecem muitíssimo por um preço ridiculamente baixo.
Alguns conselhos para quem quiser planear uma grande viagem?
Não tenho a certeza de ser a pessoa indicada para dar conselhos, pois planeio muito pouco ou nada as minhas viagens. Mas leio muito sobre os locais para onde vou viajar, com alguma antecedência. Posso aconselhar este procedimento. Em viagem, ser flexível e não planear demasiado pode trazer muitas alegrias, pois acabamos por nos demorar mais onde nos sentimos bem. Aconselho a não esperar demasiado para partir em viagem. Viajar é mais simples do que parece.
Um abraço, Amaro e obrigado.
Zé Paulo.
Obrigado eu Zé Paulo pelo tempo perdido a partilhares esta aventura connosco. E ficamos todos á espera da próxima ousadia. Até lá, boas viagens e obrigado mais uma vez.
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